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Perspectivas do mercado de gás natural da Bahia

Por Antônio Rivas

Contabilizados as estas reservas descobertas e ora em processo de implantação das facilidades de produção, o volume potencial de gás natural a ser adicionado na oferta local alcança 1,5 milhão de m³/dia.

O setor do gás natural na Bahia, seja nos processos relacionados à exploração e produção ou naqueles relativos ao mercado, compreendendo distribuição e clientes, historicamente sempre foi exercido pela Petrobras.


Com o fim do monopólio estatal, foram criadas as distribuidoras estaduais, que obtiveram o monopólio para a distribuição do gás natural canalizado, sendo que a exploração e produção continuaram, majoritariamente, sendo exercidas pela Petrobras.


Mesmo com a entrada da iniciativa privada nos processos de E&P, por questões de logística e volumes das reservas descobertas, sempre de pequeno porte, o setor privado não conseguiu substituir, ainda que apenas parcialmente, a produção da estatal nas bacias terrestres, sendo que o único projeto de porte significativo foi implantado na Bacia do Parnaíba, onde a produção tem alcançado níveis da ordem de 5 milhões de metros cúbicos por dia, usados na geração de energia elétrica.


Na Bahia, nas bacias do Recôncavo e Tucano, embora com operadoras privadas atuando desde o ano 2000, ainda hoje todo fornecimento para a distribuidora estadual é feito pela Petrobras, restando às operadoras privadas a distribuição de um pequeno volume diário, para clientes de igual dimensão, na forma de gás natural comprimido – GNC - através de caminhões.

Foto: Divulgação.

No ano passado, a estatal Bahiagás lançou um edital onde buscava adquirir de fornecedores privados até um milhão de m³/dia, como forma de diversificar seus fornecedores e conseguir preços mais competitivos que os praticados pela Petrobras.


Deste movimento, resultou um primeiro contrato, onde uma operadora privada vai entregar cerca de 300 mil m³/dia para a Bahiagás, produzidos de uma descoberta feita por esta operadora, que deve entrar em operação no início de 2020, devendo evoluir para 500 mil m³/dia, no ano seguinte.


Paralelamente, outras operadoras também fizeram descobertas ou aquisições de campos descobertos pela Petrobras, que, por questões de mercado e logística, nunca entraram em produção, barreiras estas que atualmente estão sendo superadas.


No mesmo modelo da Bacia do Parnaíba, outra operadora entrou no leilão da Aneel e está em fase de comissionamento de uma UTE, que vai consumir, inicialmente, cerca de 150 mil m³/dia, com previsão de ampliação para 450 mil m³/dia, nos próximos anos.


Ainda na Bacia do Recôncavo, estão previstos mais dois projetos de reabertura de poços em campos adquiridos da ANP, que tem potencial para produzir cerca de 200 mil m³/dia, além do crescimento da produção de gás natural em projetos já implantados, que podem adicionar mais 50 mil m³/dia.


Na Bacia do Tucano Sul, estão em fase de implantação outros dois projetos de produção de gás não-associado, por operadoras que também adquiriram campos devolvidos pela Petrobras para a ANP, o primeiro com início da produção no mês de agosto e o segundo, em fase mais inicial, deve fazer o comissionamento das instalações no início de 2019.


Na primeira fase destes dois projetos é estimada produção da ordem de 150 mil m³/dia, sendo que um deles deve evoluir com a perfuração de mais dois poços e adicionar mais 200 mil m³/dia, até 2021.


Contabilizados todas estas reservas já descobertas e ora em processo de implantação das facilidades de produção, o volume potencial de gás natural a ser adicionado na oferta local alcança 1,5 milhão de m³/dia, que significa um acréscimo da ordem de 70% ao volume ora ofertado de 2,1 milhão m³/dia, da produção em terra, pela Petrobras.


Esta mudança na formatação do mercado, através da diversificação dos fornecedores de gás natural, implica em mudanças também no mercado consumidor, onde novos clientes estão sendo desenvolvidos pelo atendimento do gás não canalizado, seja através do já tradicional GNC ou, mais recentemente e ainda em fase de prospecção da viabilidade do mercado, através de sistemas de gás natural liquefeito (GNL), uma vez que, atualmente, já existe viabilidade técnica e econômica para distribuir o GNL, através da instalação de plantas criogênicas moduladas (>30.000 Nm³/d) para liquefazer e regaseificar o gás, o que pode monetizar reservas ainda indisponíveis e atender clientes finais desconectados da atual malha da Bahiagás.


Por outro lado, o Terminal de Regaseificação da Baía de Todos os Santos tem capacidade para operar 14 milhões de m³/dia, que, quando consolidada a abertura da operação, certamente vai permitir a entrada de outros fornecedores externos, que poderão provocar mudanças significativas no mercado de gás natural na Bahia.


Adicionalmente, a adoção do modelo de oferta permanente de blocos exploratórios feita pela ANP, deve criar nova dinâmica na fase exploratória das bacias brasileiras, pela facilidade de acesso e escolha melhor direcionada para os blocos de interesse com oportunidade exploratória identificada, que também devem levar à descoberta de novas reservas de gás natural, diversificando ainda mais o mercado.


#AntônioRivas

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